Depois de abandonar suas origens humildes do bairro de La Boca, atravessar a cidade e se estabelecer na elegante região de Núñez, nada mais natural que o River Plate tenha passado a ser conhecido como “Millonarios“. Mas, há exatamente 45 anos, o clube ganharia uma segunda alcunha, muito menos agradável.
A Libertadores de 1966 era uma verdadeira maratona, a qual o River Plate enfrentou em altíssimo nível. Na primeira fase, encarou uma chave com outras 5 equipes: seu rival eterno Boca Juniors, 2 equipes peruanas (Universitario e Alianza) e 2 venezuelanas (Deportivo Italia e Deportivo Lara). Com 8 vitórias em 10 jogos, a equipe se qualificou em um confortável primeiro lugar.
A segunda fase teria uma chave ainda mais dura, novamente com o Boca Juniors e o Independiente, campeão das duas edições anteriores do torneio, além do Guaraní paraguaio. A classificação veio após um jogo-desempate em Assunção contra os Rojos, uma suada vitória por 2 a 1. O River estava na decisão. Mas o adversário também era duríssimo, os uruguaios do Peñarol, equipe de jogadores como Pedro Rocha, Mazurkiewicz, Spencer e Forlán. O treinador era o lendário Roque Máspoli.
Na primeira partida em Montevidéo, um Centenário abarrotado com mais de 60 mil pessoas viu uma enorme pressão aurinegra sobre o River. A defesa se portava bem, e o veteraníssimo e lendário Amadeo Carrizo fazia grande partida. Mas, nos últimos minutos, a insistência caseira foi premiada, e, com gols de Abbadie e Joya, o Peñarol venceu por 2 a 0. o River precisava vencer em Núñez para forçar a partida desempate.
A partida de volta foi absolutamente atípica. O Monumental estava tão abarrotado que o River achou por bem improvisar cadeiras para torcedores à beira do campo, sem separação para os atletas. Os policiais torciam ostensivamente e comemoravam como torcedores os gols do River. Os jogadores do Peñarol posteriormente descreveriam o sentimento de pânico em atuar naquelas condições. Isso não impediu uma partida espetacular, ao fim vencida pelo River por 3 a 2, com dois gols de Ermindo Onega, um deles, o da vitória, marcado nos últimos minutos da partida. Tudo seria decidido em Santiago do Chile.
E há 45 anos o River Plate desceu para o vestiário no intervalo com um 2 a 0 a favor, gols de Daniel Onega e Solari. O título parecia fatura liquidada. Mas o Peñarol estava prestes a conseguir uma daquelas façanhas que só o futebol uruguaio é capaz. Diz a lenda que tudo começou quando Carrizo defendeu um chute de Spencer matando a bola no peito. O menosprezo acendeu a velha garra charrua, que os brasileiros experimentaram em 1950.
O Peñarol lutou como nunca, e aos 20 minutos Spencer se vingou de Carrizo descontando para o Manya. Mais oito minutos e Abbadie empatou a partida. Com a moral elevada pelo empate heróico, o time uruguaio entrou aceso na prorrogação, e aos 12 minutos o equatoriano Spencer ensinou a Carrizo que com uruguaios não se brinca, colocando o Peñarol na frente pela primeira vez, após 102 minutos de jogo. E logo aos 4 do segundo tempo, Pedro Rocha liquidou a fatura.
O Peñarol era campeão da Libertadores pela terceira vez em sete edições disputadas, o futebol uruguaio mostrava mais uma vez que não podia jamais ser dado como morto, e o River Plate era humilhado como nunca. A partir dali jamais deixariam de ser chamados de “gallinas” pelos seus rivais.
Há 45 anos, esse jogo histórico foi protagonizado pelos jogadores:
Peñarol: Mazurkiewicz, Lezcano, Díaz e Forlán; Caetano e Gonçálvez; Abbadie, Cortés, Spencer, Rocha e Joya. Técnico: Roque Máspoli.
River Plate: Carrizo, Matosas, Vieytez, Grispo e Sanz; Sarnari, Solari e Ermindo Onega; Cubilla, Daniel Onega e Más. Técnico: Renato Cesarini
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nossa.
sem tantas palavras!
River: A vergonha argentina.
ola
Matosas e Cubilla, ambos do River, não eram uruguaios?
exato, e os dois foram revelados pelo Peñarol. Voltaram ao país logo depois: Matosas para o próprio Peñarol e Cubilla para o Nacional. Ambos enfrentaram o brasil na copa de 1970