Jogo começou com um San Lorenzo tentando assustar, mas na marcação. Já o Botafogo deu mostras de que seria o grande protagonista dentro de campo, mas em termos de nervos descontrolados. Nas arquibancadas, uma torcida disposta a dar um show, mas só se o time fizesse as vezes de uma animadora de torcida. O equilíbrio parecia lançado, porém nivelado por baixo. Até que apareceu Torrico de forma brilhante: rebateu um chute nos pés de Tanque Ferreyra e coassinou o primeiro gol do Fogão. Depois foi aquela história: “vamos todo mundo chutar de fora que o Torrico vai entregar. E foi o que aconteceu. Certo é que o chute foi daqueles, mas se tratou de uma daquelas defesas “impossível” dos grandes porteiros. E ele não se comportou como um deles. Vitória justa pra um; derrota justa pro outro.
O San Lorenzo ficava lá atrás. Tentava tomar conta do jogo a partir da defesa de seu próprio campo. A proposta era a de desesperar o rival pouco a pouco. No começo deu certo e o conjunto local parecia perdido em campo. Após alguns minutos, os visitantes foram mais a frente, atacando com até uma surpreendente linha de três. No plano tático, o Ciclón era melhor. Nos nervos quem mandava era o Fogão. Emocionalmente a esquadra botafoguense parecia uma criança. E o chororô até ameaçou aparecer uma vez ou outra.
Uma chance pra lá, duas para cá e o equilíbrio era a tona, embora o Ciclón finalizasse mais. Então apareceu Torrico. Jorge Wagner, que não atuava pelo lado de campo, arriscou. O porteiro cuervo se esqueceu das lições para os goleiros, na base. Soltou a pelota nos pés de Tanque Ferreya 1×0, aos 29 minutos de jogo. Aos 42, ótima articulação no ataque cuervo. Blandi fez sua única boa jogado da peleja: tocou para Correa na cara do gol. Ele e o goleiro. E ele perdeu.
Na segunda etapa, parecia que apenas o Ciclón veio a campo. Botafogo, nada. E era um tal de 10 jogadores defendendo a área de Jerffeson, enquanto o San Lorenzo se desgastava na sua incompetência de não saber o que fazer com meio campo de jogo só para si. Porém, parecia que o empate aconteceria. Mas em jogada isolada, Wallyson arriscou de fora da área para ver o que acontecia. Aconteceu que Torrico sequer viu a bola: 2×0 para o conjunto de General Severiano. Contava-se apenas 6 minutos da etapa final.
Bauza tentou de um jeito e de outro, mas em vão. Levou a campo Romagnoli Mauro Matos e Villalba. Nada aconteceu. A defesa do Botafogo parecia feliz: quando os rivais ameaçavam alguma coisa era só olhar a quem estava a sua frente: só dava gente de preto e branco. Em por mais de 30 minutos o conjunto de Bauza não soube como sair do ferrolho defensivo do Bota. Sem sentir perigo, o Botafogo jogava tranquilo e esperava o tempo passar. A torcida era só felicidade; o time era só confiança. E o San Lorenzo era só uma imagem esbranquiçada da equipe de Pizzi. Não que o treinador do Valência seja melhor que Patón Bauza. Mas em seus melhores momentos, o conjunto dirigido por Juan Antonio parecia mais seguro e com mais identidade.
O efeito disso era até antecipado pelo FP, no artigo “San Lorenzo do céu para o Botafogo. Ou do inferno”. O Ciclón foi uma mãe para o Bota. Por vezes, um adolescente precipitado e infeliz. O fato é que o resultado ficou de boma tamanho para o conjunto brasileiro e, ao mesmo tempo, não tão ruim para os Cuervos. O Grupo II é tão fácil que se o time inteiro jogar como Blandi, no próximo jogo, ainda assim é possível vencer. Então, em termos de classificação, a derrota não significou nada. Em termos de vitória, para a “Estrela Solitária”, o resultado dá a confiança necessária para seguir acreditando na já virtual classificação à terceira fase da Liberta. E foi só.
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