Há 71 anos, o Boca Juniors vencia o San Lorenzo por 2 a o na inauguração do estádio da Bombonera. O primeiro gol do estádio foi marcado por Ricardo Alarcón, que assim eternizou seu nome na história xeneize. A partir dali o Boca venceria as 13 partidas seguintes que disputou na nova casa e se sagrou campeão argentino daquele ano.
A Bombonera é um estádio mundialmente famoso, e um grande orgulho xeneize. Mas os motivos desse orgulho são muito mais amplos. Afinal, a construção do estádio garantiu algo muito importante para o clube: o Boca Juniors consolidava sua presença no bairro de La Boca, e garantia que jamais sairia da região em que seus fundadores começaram o clube.
Uma peculiaridade do futebol portenho é o enraizamento dos clubes em seus bairros. No fundo, todo clube de Buenos Aires é um clube de bairro. Essa é a essencia do futebol da cidade. Alguns (como o próprio Boca) conseguiram assumir uma dimensão que extrapola muito essa origem. Mas é o bairro a fonte do clube, sua força. E justamente por isso é doloroso que a maioria dos clubes da cidade não tenha conseguido se sustentar no seu bairro original.
A questão é complexa. A maioria dos clubes tem sua origem em bairros populares, e começou a atuar em pequenas canchas, em terrenos desvalorizados. Mas a medida que o século XX avançava, os espaços para construção diminuiam e os terrenos se valorizavam. A maioria desses clubes, formados por trabalhadores humildes, não pôde evitar que suas canchas originais fosse engolida pela especulação imobiliária, e foram obrigados a mudar de bairro.
Muitos não sabem, mas o Boca chegou a ter esse triste fim. Em 1914 a equipe foi desalojada de seu campo de jogo, e foi obrigada a se mudar para o bairro de Wilde. É uma localidade vizinha, com o mesmo tipo de público, mas não adiantou. O número de sócios despencou, o clube perdeu sua identidade, e as derrotas se acumularam. Mas em 1916 a direção conseguiu outro terreno em La Boca, e começou a mandar seus jogos no bairro original novamente. Mas o clube foi desalojado do lugar, e novamente ficou sem cancha.
E finalmente em 1922 o Boca Juniors conseguiu um terreno na Calle Brandsen, à beira da linha do trem. Construiu um pequeno estádio, estreado dois anos depois. Em 1931 a diretoria conseguiu comprar o terreno, afastando o perigo de ser mais uma vez desalojada. E em 1937 o presidente Camillo Cichero resolveu construir um grande estádio, à altura do clube, que àquela altura já despontava como seríssimo candidato a ser um gigante do profissionalismo, implantado poucos anos antes.
O desafio era construir um estádio com as dimensões desejadas no humilde terreno que o clube ocupava desde 1922. No entanto, o arquiteto esloveno Viktor Sulcic surgiu com uma solução que encantou à direção do clube: um estádio em formato de quadrilátero, e com três degraus de arquibancada, tudo para aproveitar ao máximo o terreno. Nascia a Bombonera (“caixa de bombons”, apelido explicado justamente pelo desenho tão peculiar para um palco futebolístico), um estádio com características únicas.
E há 71 anos o Boca Juniors inaugurava a sua nova casa. A partir dali, a equipe xeneize tinha um estádio capaz de comportar sua torcida e intimidar os rivais. Mais que isso, ali o Boca Juniors garantia que, não importando o que a contecesse, o clube jamais deixaria o humilde bairro da zona sul onde foi fundado, garantindo a profunda identificação do clube com sua torcida, sua cancha e, acima de tudo, o seu bairro. A partir daquele dia, estava pavimentado o caminho para a ascensão do clube ao panteão dos gigantes do futebol mundial.
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Muito boa materia
Quando moraba en Buenos Aires era socio de Boca e ir na Bombonera cada quinze dias quando Boca jogaba , era um placer para min.
Não sei se e por costume ou não , mas para min e o melhor estadio para asistir futebol , e isso q eu ia na terceira bandeja , acima da 12.
Parabens pela materia.