“Eles ganham os amistosos, nós os jogos competitivos”, declarou Wolfgang Niersbach, presidente da federação alemã de futebol, sobre os próximos e últimos oponentes no mundial. Provocou com razão: Argentina e Alemanha já se enfrentaram dezenove vezes, contabilizando os jogos contra a antiga Alemanha Ocidental. Foram oito vitórias argentinas, incluindo uma por 3-1 dentro de Frankfurt há dois anos, contra seis germânicas e cinco empates. Aliás, os hermanos só perderam dois dos oito encontros já disputados dentro da Alemanha. Mas a freguesia simplesmente se inverte nas Copas.
O primeiro duelo entre os finalistas de 2014 também veio em uma Copa, em 1958. Foi o primeiro jogo deles na Copa da Suécia e marcava o retorno argentino a mundiais após 24 anos: por diferentes razões, os argentinos cometeram a furada histórica de não participarem das eliminatórias às Copas 1938, 1950 e 1954. Um retorno que começou dourado, literal e metaforicamente: o craque Omar Corbatta abriu o placar logo no início contra os detentores do título. E os sul-americanos jogaram com a camisa amarela do IFK Malmö, emprestada pelo clube da cidade para evitar confusão com a camisa alemã.
Só que os teutônicos se impuseram no fim do primeiro tempo. Em dez minutos, aos 32 e aos 42, viraram o jogo, com Helmut Rahn (quem decretara a vitória sobre a Hungria em 1954) e Uwe Seeler, que marcou ali pela primeira vez em Copas – só ele, Pelé e Miroslav Klose marcaram em quatro mundiais. Rahn ainda faria os 3-1 no fim do segundo tempo. Foi o primeiro revés do “Desastre da Suécia”: achando-se favoritos, os argentinos caíram na primeira fase. Relatamos aqui.
O encontro seguinte também foi em um mundial, em 1966. Em Birmingham, novamente na fase de grupos, não saíram de um 0-0, agora na segunda partida. Ambos terminaram classificados. O terceiro jogo foi em 1973, e nele veio a primeira vitória argentina. Em plena Munique, Miguel Brindisi, Norberto Alonso e Jorge Ghiso anotaram os 3-2 sobre os anfitriões (e campeões) da Copa seguinte, que descontaram com Bernhard Cullmann e Jupp Heynckes. O troco veio em 1977, quando os alemães-ocidentais venceram em Buenos Aires por 3-1. Foi a única derrota dos argentinos em casa na série de amistosos preparatórios ao mundial que sediariam.
Em La Bombonera, Bernd Holzenbein e dois de Klaus Fischer foram os gols germânicos, com Daniel Passarella descontando. Dois anos depois, em Berlim Ocidental, Klaus Allofs e Karl-Heinz Rummenigge fizeram os gols de novo triunfo alemão, 2-1 com José Castro marcando para os argentinos. No primeiro dia do ano de 1981, no Mundialito do Uruguai, os hermanos conseguiram uma virada-relâmpago no Estádio Centenário: Horst Hrubesch abriu o marcador em Montevidéu, mas aos 39 minutos do segundo tempo Manfred Kaltz marcou contra e aos 43 minutos Ramón Díaz desempatou.
Em março de 1982, no Monumental de Núñez, Wolfgang Dremmler e Gabriel Calderón foram os autores do 1-1. Em 1984, em Düsselforf, José Ponce fez o jogo da sua vida, marcando dois na vitória argentina por 3-1. Outro de atuação recordada foi Ricardo Bochini: um dos maiores craques do país (leia), jamais marcou gols pela seleção e ali um chute seu desde o meio-de-campo passou perto de entrar. Já Jorge Burruchaga fez ali seu primeiro gol sobre os alemães. Dietmar Jakobs descontou.
Em 1986, a primeira final entre eles foi talvez a mais emocionante das Copas. José Luis Brown fez seu único gol pela seleção ao abrir de cabeça o placar – atuaria com o polegar quebrado. Quando Jorge Valdano ampliou aos 11 do segundo tempo, a situação parecia definida. Mas em dez minutos, aos 19 e aos 29 do segundo tempo, a Nationalelf empatou, com os oportunistas Rummenigge e Rudi Völler. Mas três minutos depois disso, um Maradona até então bem marcado teve espaço para um sensacional passe para Burruchaga ficar cara a cara com Harald Schumacher e fazer o gol do título.
Um ano e meio depois, em dezembro de 1987, Burruchaga novamente aprontou, marcando o único gol de amistoso no Monumental. Em abril do ano seguinte, em Berlim Ocidental, novo 1-0, dessa vez para os alemães, gol de Lothar Matthäus. E em 1990, mais um 1-0, na segunda final da Copa entre a Albiceleste e a Mannschaft. Seriamente desfalcados, os argentinos (sem Claudio Caniggia, por exemplo) ainda tiveram Pedro Monzón expulso no início do segundo tempo, após uma tesoura que Jürgen Klinsmann enfeitou demais, com direito a dar uma rolada no chão após cair, erguer de bruços as pernas o mais alto que podia e rolar mais três vezes. Monzón foi o primeiro expulso em final de Copa.
Retrancados e talvez confiando em novo heroísmo de Sergio Goycochea em eventual decisão por pênaltis, os argentinos precisaram dele mais cedo do que isso: a 5 minutos do fim, o árbitro mexicano Edgardo Codesal viu pênalti de Néstor Sensini sobre Völler. Goycochea pulou no canto certo, mas não alcançou o tiro de Andreas Brehme, que marcou ali o único gol do jogo. O próprio Brehme teria reconhecido em entrevista ao jornal espanhol El País em 2006 que a penalidade não existiu.
Em dezembro de 1993, em uma prévia da Copa dos EUA, os últimos finalistas se enfrentaram em amistoso em Miami. Foi o primeiro jogo da Argentina contra a Alemanha (re)unificada. E os argentinos, após uma classificação complicada (veja aqui), venceram os últimos campeões por 2-1, gols de Hernán Díaz, Andreas Möller e Abel Balbo. O jogo seguinte seria só em abril de 2002, em amistoso pré-Copa. Em Stuttgart, Juan Pablo Sorín marcou o único gol, mas ironicamente na Ásia a forte seleção de Marcelo Bielsa cairia na fase de grupos enquanto os alemães em frangalhos conseguiriam ir à final. Em seguida, dois jogos em 2005, ambos terminados em 2-2 na Alemanha.
O primeiro, um amistoso em fevereiro em Düsseldorf, teve dois gols de Hernán Crespo para os argentinos e Torsten Frings e o brasileiro Kevin Kurányi fazendo os dos anfitriões. Na fase de grupos da Copa das Confederações, em Nuremberg, Kurányi marcou de novo e outro imigrante, o ganês Gerald Asamoah (primeiro negro da seleção alemã), fez o segundo germânico. Juan Román Riquelme e Esteban Cambiasso empataram. Um ano depois, em Berlim, o bom retrospecto argentino em solo alemão parecia que seria reforçado. Roberto Ayala abriu o placar e os hermanos iam bem.
As coisas se complicaram nos últimos 20 minutos, porém. Roberto Abbondanzieri se contundiu e uma inesperada substituição de goleiros precisou ser feita, com Leo Franco assumindo as redes. Daí, o técnico José Pekerman resolveu reforçar a defesa, trocando o meia-armador Riquelme pelo volante Cambiasso. Ainda trocou Crespo pelo inábil Julio Cruz. Chamados ao ataque, até pela necessidade, os alemães foram para cima e um minuto depois de Cruz ingressar, Klose marcou. Nos pênaltis, todos os alvinegros – Oliver Neuville, Michael Ballack, Lukas Podolski, Tim Borowski – foram acertando.
Já do lado argentino, Cruz acertou o primeiro, Ayala teve o seu defendido por Jens Lehmann, Maxi Rodríguez converteu e Cambiasso, após perder a quarta cobrança, decretou a eliminação nas quartas-de-final de um dos mais promissores times que a Argentina já levou a uma Copa. Em 2010, novamente os finalistas de 2014 se encararam nas quartas. Sendo que em março, em plena Allianz Arena de Munique, Gonzalo Higuaín fez o único gol do amistoso. Mas, na Cidade do Cabo, os teutônicos massacraram desde cedo: Thomas Müller abriu o placar logo aos 3 minutos. Klose ampliou aos 13 do segundo tempo. Arne Friedrich matou seis minutos depois. Klose ainda fez outro, aos 44.
O último encontro foi aquele de Frankfurt, em 15 de agosto de 2012. Sami Khedira, marcando contra, e Lionel Messi e Ángel Di María abriram 3-0. Benedikt Höwedes só diminuiu a 9 minutos do fim. Os argentinos usaram quase todo o time-base de Alejandro Sabella no início desta Copa: Romero, Zabaleta, Federico Fernández, Garay e Rojo, Mascherano, Gago, José Sosa (a única exceção; não foi convocado), Di María, Messi e Higuaín. Entraram ainda Agüero e Campagnaro e dois não-convocados, Rodrigo Braña e Pablo Guiñazú. Por outro lado, muitos nomes derrotados ali não vieram ao Brasil: Holger Badstuber, Marcel Schmelzer, Lars Bender, Marco Reus, Marc-André ter Stegen e İlkay Gündoğan.
Contra a antiga Alemanha Oriental, a Argentina também teve bom retrospecto geral (dois jogos e invicta) mas duvidoso em Copas: contra a pátria original de Toni Kroos, empatou na segunda fase de grupos da Copa 1974. Joachim Streich, maior artilheiro dos ossies, abriu o placar e René Houseman empatou em Gelsenkirchen, na única não-derrota dos alemães do leste naquela fase. Foi o último jogo da antiga RDA em Copas e ocorreu dois dias depois da morte do presidente Perón; alguns argentinos teriam até cogitado voltar antes ao país para os funerais. E foi a estreia de Ubaldo Fillol na seleção – ele não se firmou e só voltaria a defendê-la já em 1978, às vésperas de nova Copa. Um ano antes, em 1977, na Bombonera, Houseman marcou de novo e Jorge Carrascosa fez outro na vitória hermana por 2-0.
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